Começar e o medo “o que vão pensar?”

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Quando o que os outros pensam se torna mais importante para nós do que o que Deus pensa, temos um problema

Na primeira postagem deste site escrevi sobre o medo de começar algo e como isso nos paralisa e impede de servir a Deus. O tema possui tópicos que merecem aprofundamento individual e, por isso, continuarei com as reflexões sobre o assunto em uma pequena série de textos.

Confira a primeira postagem: Começar: Começar é difícil… mas ficar parado é pior ainda

Anteriormente, citei pensamentos que geralmente nos freiam no momento de agir: “o que vão pensar?”, “não tenho tempo”, “será que vou conseguir?” e “não tenho tudo o que preciso”. Vamos começar debatendo o medo da opinião alheia.

Considerar a visão das pessoas não é algo ruim em si. Na verdade, é bom quando é um posicionamento construtivo e alerta sobre erros que cometemos. No entanto, quando o que os outros pensam se torna mais importante para nós do que o que Deus pensa, temos um problema.

Vejo que uma das raízes para o receio excessivo com o juízo de quem nos cerca é a importância que damos ao status social. Ficamos preocupados com que nossas realizações mostrem à sociedade como somos bem-sucedidos e se algo ameaça isso, preferimos deixar de lado. Mas a vontade de Deus não está subordinada ao que os seres humanos acham. Na verdade, é comum que ela contrarie a ideia de sucesso dos homens.

Na Bíblia, há muitos exemplos e o que falou profundamente comigo é o de Jesus. Imagine estar onde Cristo estava, na morada de Deus, ser o Rei da Criação, aquele por meio de quem todas as coisas foram feitas, ser o próprio Deus.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.”

João 1:1-4

Mas então, Jesus vem a esta terra na forma humana.

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”

João 1:14

Aqui, passa por sofrimento, vergonha e humilhação e sequer é reconhecido.

“Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.
Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.
Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.”

João 1:9-11

Jesus tinha todos os motivos para não aceitar o plano perfeito de Deus para a salvação. Ele era inocente, não precisava de nós e nem somos merecedores do sacrifício dele.

Além disso, como Rei da Criação, imagina estar diante de todo o exército celestial e dos poderes malignos deste mundo reduzido à forma humana, sendo maltratado por aqueles que ele criou? Se Cristo tivesse a mesma ideia que temos de sucesso e estivesse apenas preocupado com o que pensariam dele, jamais poderíamos celebrar a nova chance que tivemos de viver a vida eterna com o Pai.

Não acredito que reis humanos fariam o que o Filho de Deus, Rei dos reis, fez. E para nossas mentes rasas, parece absurdo que alguém tão poderoso tenha se submetido a isso.

A realidade é que a nossa visão do que é ser poderoso é deturpada, moldada pelas mentiras do Diabo, que nos faz pensar que coisas materiais e posições dão poder e importância a alguém. O único poder é de Deus, tudo só acontece porque ele permite. E a nossa importância está em amar e ser amados por Deus.

Jesus sabia disso e tinha plena consciência de quem era e o quão poderoso era (e é) para se importar com o que achariam dele. Ele não levou em consideração o que os homens pensariam. Ele ama o Pai e obedecê-lo está acima de tudo.

Jesus não se preocupou em atender expectativas. Ele sabia bem das profecias e que os israelitas esperavam um rei nos padrões humanos, vindo em um cavalo com um exército inteiro para libertá-los do cativeiro.

Sabemos que isso acontecerá, mas somente na segunda vinda de Cristo, quando derrotará Satanás de uma vez por todas e estabelecerá seu Reino na terra em sua plenitude. Mas no primeiro momento em que esteve entre os homens, a missão de Jesus era anunciar a boa notícia: se crermos nele, seremos perdoados e reconciliados com Deus, ressuscitaremos como ele ressuscitou e viveremos no seu Reino para todo o sempre.

Uma das muitas coisas que aprendemos na história da primeira vinda de Jesus é que aqueles que só olharam a aparência perderam a oportunidade de ser amigos do Filho de Deus. Mas os que creram e não se preocuparam com influência, poder ou com que os outros pensariam, encontraram a fonte de água viva. E um dia ressuscitarão, para juntos vivermos no Reino eterno de Jesus.

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome;
Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.”

João 1:12,13

Ficamos tão preocupados em preservar a nossa imagem diante dos outros que esquecemos que o próprio Cristo não se importou com isso. Se o Filho de Deus foi julgado e culpado sendo inocente, se sofreu por nós que não merecemos e aceitou ser reduzido à condição humana, por que pensamos em nossa pequenez que não temos que passar pelo julgamento dos homens por amor a Deus?

Após o Espírito Santo falar a mim sobre isso, concluí que se ainda ficava com tanto medo de começar algo pensando no que os outros falariam, é porque não amava a Deus como dizia. Como posso dizer que o amo se considero mais o meu status diante das pessoas?

Estar com Jesus é tudo o que importa e, se para continuar com ele precisarmos contrariar o pensamento geral, não há problema. Jesus não hesitou em obedecer ao Pai porque o maior valor para ele não era a posição, mas o próprio Deus. E o amor ao SENHOR o levou a obedecê-lo e sacrificar-se sem restrições. Aprendamos com Cristo o que realmente é importante.  

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